
Enfim, o Não-Fim...
Vida, morte, aceitação, transgressão, metafísica, planos espirituais, mistérios, guerras, números...
Na noite do último dia 23, nos EUA, e do dia 25 aqui no Brasil, foram exibidos os dois últimos capítulos da última temporada de LOST, uma das séries mais intrincadas e complexas dos últimos tempos.
A história criada e produzida por J.J. Abrams, Jeffrey Lieber e Damon Lindelof, e escrita, também, por Carlton Cuse, foi uma verdadeira pancada na cabeça no que se refere a estilo de narrativa, flashbacks e flashforwards, e também deixou muita gente de queixo caído ao revelar que o grande mistério da série estava estampado na cara do primeiro episódio. Ou seja, TODOS ESTAVAM MORTOS DESDE O COMEÇO !
E por que o espanto ? Por que a frustração ? Ah, tá, tdo mundo queria um final feliz, bonitinho, todos são e salvos em suas casinhas, Jack, o herói da mulherada, Sawyer o canalha irresistível, Kate, Juliet, Jin, Sun, Hurley, todos bem...
Com esse fio condutor, J.J. Abrams & Cia. desenvolveram uma história que misturou pecado, alegria, egoísmo, tristeza, dor, solidão, muito bem urdidos em temporadas que deram destaques diferentes a temas isolados, e que souberam, às vezes, despistar, outras, lançar dúvidas e, até mesmo, não dizer coisa alguma. Porque, de vez em quando, é necessário ficar calado. Primeiro foram os passageiros do Oceanic 815, depois vieram Os Outros, a própria ilha como centro de vários questionamentos. Enfim, tudo estava quase na cara. Bastava, para isso, algo ou alguém que desse uma pista. E esse alguém foi John Locke, que , desde o primeiro episódio, nos mostrou o que havia occorrido. Como um homem, que é paraplégico, sai andando normalmente após um acidente daquele ??? John foi o único que sabia o que tinha contecido, mas , para desespero de todos nós, fechou-se em sua concha coberta de filosofias e metáforas, sem sequer dar sinais de que iria revelar algo. Maldito seja John Locke ! Bendito seja quem o criou, conseguindo imortalizar um dos personagens mais enigmáticos de um seriado. Ponto para J.J. e "os outros" produtores, com trocadilho. A ideia de "personificar" a ilha como um lugar de expiação e transição de almas foi original, ainda que o tema de almas que não se aceitem como mortas já tenha sido explorada brilhantemente em O Sexto Sentido. Aqueles que quiserem, realmente, entender a série, vão ter que engolí-la capítulo a capítulo, senão vão boiar feio.
Outro ponto positivo de LOST, ao meu ver, foi o de utilizar nomes não tão conhecidos do público, mas que possuíam um currículo bem extenso em produções de TV e/ou cinema. Atores como Terry O'Quinn, que vestiu magistralmente a pele de John Locke, Michael Emerson, o "não tão fatídico assim" Benjamin Linnus, Henry Ian Cusick, o literalmente viajante Desmond Hume, e Elizabeth Mitchell, a doce e hipnótica Juliet Burke, são exemplos de como emergir talento e explosão de personagens. Destaques, ainda, para Jorge "Hurley" Garcia, Josh Holoway, Evangeline Lilly, Naveen Andrews, Yunjin Kim e Mathew Fox, cujo Jack Shephard mostrou-se um herói e um líder nato. Enfim, o final da série nos mostrou que, de um modo ou de outro, tudo continua, e as pessoas daquele voo irão descobrir isso, mas na ficção.
Aproveito para saudar o herói Jack Bauer, que , com fôlego de gato, conseguiu fazer de 24 Horas um diferencial, apesar do extenso tempo em que esteve no ar.
Por John Locke, Jack Shephard, Kate Austen, Benjamin Linnus, Juliet, Desmond Hume, Hurley, Sawyer, Sun e tantos outros, mas pelo fato do tema "almas sem rumo" já ter sido utilizado antes...
Nota: 9 atmospheras !
P.S. - Aguardem os comentários do Urbano sobre LOST. Ele tem a visão um pouco diferente da minha...